Um pouco de História

Conservatória é um dos mais antigos distritos de Valença, no Sul do Estado do Rio de Janeiro, e tem sua arquitetura colonial característica do século dezenove tombada pelo patrimônio histórico municipal.


Está distante cerca de 160 quilômetros do centro do Rio de Janeiro, a pouco mais de 300 quilômetros da divisa com São Paulo e a 35 quilômetros de Minas Gerais.

Hoje com quase cinco mil habitantes, esse pequeno enclave nas serras do Sul Fluminense, rodeado por montanhas, passou por outros batismos, antes de ter o nome nacionalmente conhecido.

Primeiro, foi a Conservatória dos Índios Araris. No século 19, D. João VI autorizou a criação de uma sesmaria para estabelecer os Araris, um dos braços dos Coroados, índios originários de Valença, que viviam em guerra com outras tribos. Eles foram deslocados para a região pela administração da Coroa Portuguesa, ao serem abertos os primeiros caminhos para o desenvolvimento da cultura cafeeira no Médio Paraíba. Com a chegada dos Jesuítas, foi fundado o Curato de Santo Antonio, e o vilarejo passou a se chamar “Santo Antonio do Rio Bonito”, nome de um dos rios que cortam o vilarejo. Em meados do século 20, por haver outras cidades com o nome de Santo Antonio no estado, buscou-se a denominação de origem. Não existiam mais os Araris, mas Conservatória – palavra de origem portuguesa, que até hoje designa um tipo de cartório em Portugal para registro de populações e documentos – ficou, então, como o nome definitivo.

A cidade, de clima seco e frio, fica a 580 metros de altitude e sua temperatura média é de 20 graus. Mesmo no verão, as noites de Conservatória são frescas e agradáveis.



A Ponte dos Arcos é uma construção centenária erguida em pedra ligada com óleo de baleia, que os portugueses traziam como lastro nos navios que levariam nossas riquezas para Portugal. Foi construída antes da Abolição da Escravatura para dar passagem ao trenzinho puxado pela “Maria Fumaça”, a locomotiva que hoje é uma das relíquias turísticas de Conservatória. Está distante a seis quilômetros do centro histórico, na estrada que leva à Serra da Beleza.


Cachoeira da Índia – Está no Balneário Municipal, a 800 metros do centro histórico. É uma cachoeira pequena, com uma escultura em bronze que remete a uma entidade feminina com aparência de extraterrestre. Seu nome é consequência do apelido dado por moradores. Foi feita pela artista plástica mineira Vilma Noel e doada pelo falecido artista plástico Luiz Figueiredo, morador de Conservatória, com obras exibidas na Casa da Cultura.


O Túnel do Capoeirão é o maior construído na região. Por ele passava o trem da Rede Mineira de Viação, puxado pela “Maria Fumaça”. Tem 450 metros de extensão e, a exemplo do Túnel que Chora, com 50 metros, foi cavado pelos escravos. O acesso ao caminho do túnel é feito pela mesma estrada da Serra da Beleza, dois quilômetros após a Ponte dos Arcos.


Com quase mil metros de altitude, o Mirante da Serra da Beleza oferece uma deslumbrante vista da serra da Mantiqueira. É um encontro inesquecível com a natureza, com o canto dos pássaros e com o misticismo do lugar. Ufólogos e estudiosos garantem que, nas noites estreladas de lua nova, misteriosas luzes circulam pelo vale, surpreendendo os visitantes. Fica a 12 quilômetros do centro histórico de Conservatória.




As plaquinhas nas casas

Em 1960, os irmãos José Borges e Joubert criaram o projeto “Em cada casa uma canção”, para perpetuar as músicas brasileiras de amor, tradição de Conservatória. A plaquinha exibe o título e o nome dos autores da música. A tradição se encerrou em 2003, após o falecimento de José Borges no ano anterior, com a colocação da última das 403 placas de canções.

Na época, José Borges contou a inspiração para a iniciativa dos dois:


“Ao término de uma serenata, permanecemos na praça, como era nosso costume, curtindo a lua ou o brilho de uma estrela distante. Então, nos perguntamos: Que estranho lugar é esse? Que mistério envolve Conservatória? Parece que as canções vieram correndo, de fora para essas montanhas, com o sentido de permanecer na alma de seu povo!

(...) Pensamos, então, numa forma de registrar essas canções para o futuro, porque poderia acontecer que a linguagem do amor se modificasse e os versos do passado marcadamente romântico, sob a influência da Escola Romântica de Literatura, não transmitissem realmente, aos jovens de então, a mesma sensação, o mesmo sentimento de amor que sentíamos quando cantávamos. Naquele instante, eu idealizei com ele um sistema de placas. (...) Combinamos que as placas teriam o nome da canção e dos compositores.”

José Borges e Joubert, que faleceu em 2003, foram os grandes incentivadores do movimento seresteiro em Conservatória.


   

No Centro de Conservatória, não deixe de conhecer:

As serenatas, com mais de 140 anos de tradição, que acontecem nas noites de sexta, sábado e véspera de feriados, começam às 23h e seguem pelas ruas em um cortejo de músicos e cantores, às vezes até com a participação de artistas convidados, como aconteceu com o saudoso Agnaldo Timóteo


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A Solarata, movimento mais recente, que acontece na chamada “Rua do Meio”, a travessa onde está a estátua do saudoso José Borges. Aos domingos, das 10h ao meio-dia, com artistas locais e visitantes.

Cine Centímetro, autêntico museu do cinema, com peças originais e projetor da época do cinema Metro Tijuca. Exibe trechos de filmes famosos dos anos 50 e 60. Abre para grupos mínimos de dez pessoas, sob reserva.

Rua José Ferreira Borges, 205 - Parque Veneza.

Telefone: (21) 99997-6223.


- A Missa dos Seresteiros, todo quarto domingo do mês, às 9h, na Igreja Matriz de Santo Antônio, com a participação de músicos da cidade.

- Chorinho na Praça, aos sábados, das 11h às 13h, com roda de choro composta por músicos da cidade e com participação de convidados.

- Museu Vicente Celestino, com discos, roupas e peças do cantor. Ao lado da Casa da Cultura de Conservatória, perto da praça da matriz.



- Museu da Seresta, na Casa da Cultura, com fotos de antigos seresteiros, relíquias da música seresteira e saraus nas noites de sextas e sábados, das 21h às 22h45.

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Teatro Sonora, com shows da cantora e promotora cultural Juliana Maia.


Rua Luiz de Almeida Pinto.

Reservas: (21)98134-1910
ou (24)99228-8402


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Instituto Waldir Azevedo, com shows de músicos convidados e do cavaquinista Ronaldinho do Cavaquinho.


Rua das Flores, 145.


Telefone: (21) 98860-8009.


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Nos arredores:

- Cachaçaria Vilarejo, com visita ao processo de produção de cachaça, perto da Cachoeira da Índia, na Estrada do Contorno.

- Café e Fazenda Florença, a 2 km do centro, com plantação de café gourmet e saraus de época na sede da fazenda.

- Fazenda Vista Alegre, a 10 km do centro, com visitação a uma sede com quase 200 anos.

- Quilombo São José da Serra, a 14 km do centro, em Santa Isabel do Rio Preto.